Bem-vindos ao Litoral Sul de São Paulo

 
 

Welcome to the Southern Shores of São Paulo

Bienvenue à la Côte de la Forêt Atlantique

 

 

 

 
 

A REGIÃO

CULINÁRIA

FOTO DO DIA

LENDAS

ONDE FICAR

PRAIAS

TOURS

BEM-VINDOS

FOTOS ANTIGAS

HISTÓRIA

MARÉS

PESSOAS

PROGRAME-SE

VIDEO

 

 
 

     

     

 
 

 
 

História Geral

   
 

Aqui você encontrará um resumo da História Geral do Brasil Quinhentista. Venha conhecer quem de fato somos, redescobrindo-nos e assim repensar nosso futuro. Por que maracujá e não fruto da paixão, por que abacaxi e não ananás, por que quase o Brasil foi dividido ao meio por um departamento francês, o que aconteceu com os índios Tupinambás e Tupiniquins...venha descobrir tudo isso aqui!

Tupinambás x Tupiniquins

Na época do descobrimento e durante todo o século 16, o Brasil era canibal. Isto significa que absolutamente todos os índios “do litoral” eram canibais; guerreavam entre si e comiam seus inimigos não por fome (embora gostassem da carne humana) mas por crença de que a ingestão da carne do inimigo, corajoso e batalhador, lhes aumentariam as forças. Dentre as tribos do litoral, podemos citar nesta parte do Brasil aquelas dos Tupinambás que eram considerados Tamoios (os mais antigos, os antecessores, pais). As tribos Tupinambás se localizavam no território compreendido entre o Cabo de São Tomé no Estado do Rio de Janeiro e o Rio Juqueriquerê em Caraguatatuba, Estado de São Paulo. Mudavam-se de local para local com muita freqüência, seja para ludibriar os inimigos, seja pelo próprio costume de que uma vez esgotada a caça em um local, mudavam-se para outro.

O território dos índios Tupiniquins, (amigos dos portugueses), ia desde a região (Morpião) de São Vicente (Upau-Nema) até Cananéia. De alguma forma, os índios Tupiniquins seriam em tese, descendentes de famílias Tupinambás que mudando de região e de nome, haviam se mudado pra o Litoral Sul de São Paulo, há muitos séculos atrás, por isso mesmo referirem-se aos Tupinambás, como Tamoios (os mais velhos ou pais). Em Santa Catarina, havia as tribos dos Carijós. Tupinambás ou Tupiniquins, todos os índios trataram com doçura o colonizador no início do século 16 quando do descobrimento. A língua era praticamente a mesma, o Tupi, com a exceção da língua de algumas tribos. Isto veio a facilitar em muito o trabalho da catequese e também a conquista dos lusos. Os portugueses, se aproveitando talvez da inocência indígena (que segundo relatos eram como papel em braço nos quais podiam ser escritas as mais básicas virtudes), separaram famílias inteiras no processo de escravização do autóctone para as lavouras de cana-de-açúcar da região de São Vicente. A resposta indígena para este ultraje foi uma aliança dos Tupinambás com os franceses, dos quais aqueles já eram amigos, ajudando no tráfico do pau-brasil, ameaçando assim a unanimidade portuguesa no território da colônia, exercendo sua influência desde o Cabo-Frio e a Guanabara, até mesmo São Vicente e São Paulo de Piratininga. Os Tupiniquins neste ínterim, permanecem fiéis aos portugueses. A colônia Vicentina  assim como o empreendimento português na Região Sudeste estavam ameaçados de destruição pelo poderio de guerra dos Tupinambás.

Devido à ameaça, os colonos de São Vicente se transferem e acham abrigo seguro em Itanhaém que veio inclusive a ser Cabeça de Capitania, abrangendo toda a atual Costa da Mata Atlântica, o interior e o Planalto Paulista, o Vale do Paraíba e o Rio de Janeiro. Com a crescente ameaça Tupinambá a qual foi provocada pelo próprio colonizador, este envia Nóbrega e Anchieta para fazer as pazes com os Tupinambás e tentar anular a aliança com os franceses. Anchieta antes deste episódio havia passado um tempo em Itanhaém dedicando-se à catequese indígena, época da construção da igrejinha na chamada Pedra dos Jesuítas, na qual ajudou o Padre Leonardo Nunes (o abarebebê). Anchieta e Nóbrega rumam junto aos fronteiros do Litoral Norte, par a aldeia de Yperoig (Ubatuba). Nóbrega volta juntamente com alguns índios (diz a lenda, dentre eles, Cunhambebe, o grande guerreiro Tupinambá) para São Vicente para negociar a paz. Durante este período, Anchieta fica refém em Ubatuba (Yperoig). É nesta época que ele compõe o poema da Virgem nas areias da praia e que segundo a lenda, fatos extraordinários acontecem, como sua levitação no meio dos índios, que assustados, pensavam tratar-se de um feiticeiro. O desfecho da história é o Tratado de Paz de Iperoig entre portugueses e índios, tendo como conseqüência a destruição dos Tupinambás e a expulsão dos franceses do empreendimento chamado de França Antártica, no Rio de Janeiro. Caso a França Antártica tivesse vingado, haveria uma colônia calvinista (protestante) no local do Rio, a qual por certo se estenderia até São Paulo e São Vicente e aí então hoje em dia, a história teria sido outra.

Parece que os portugueses logo quebraram as pazes. Como os Tupinambás do Rio de Janeiro tinham de se defender, contaram com a ajuda e também ajudavam seus amigos, os franceses. Tal fato foi a causa da quase total dizimação desses índios. Alguns sobreviventes se embrenharam nos matos pelo horror do genocídio provocado pelos rudes portuguêses, outros ainda, podiam ser encontrados numa aldeia cristã próxima ao Rio de Janeiro no início do século 17. Os outros únicos Tupinambás sobreviventes foram os de Yperoig (Ubatuba) que não voltando atrás no que fora acordado no Tratado de Paz de Iperoig, ou embrenharam-se no mato ou mesclaram-se com os colonos daquelas paragens do litoral norte, sendo assimilados, correndo seu sangue nas veias dos caiçaras daquele litoral até os dias de hoje, assim como corre sangue Tupiniquim nas veias dos caiçaras originários do Litoral Sul, em Itanhaém. Contudo, seja Tupinambá ou Tupiniquim, escravização ou amizade, o modo de vida indígena o que incluía a prática do canibalismo e da prática de costumes liberais dos colonos com os índios, condenados pela Igreja, não poderia prosperar e uma vez banidas essas práticas, o índio e seus outros costumes que não os citados, de uma forma geral, acabaram sendo assimilados pelo colonizador, seja com benevolência ou mesmo que de forma grosseira.

Os Índios e a América

Como criaturas inocentes, que jamais haviam visto o homem branco e suas malícias, avarezas e grosserias, os índios viviam num universo mágico, onde tudo na natureza tinha uma explicação segundo seus mitos, da mesma forma aliás pela qual os gregos explicavam a natureza ao redor, ou seja; através da mitologia. Quando do "descobrimento" do Brasil, que na realidade já eram terras conhecidas d'El Rei de Portugal, que somente veio até aqui para tomar posse da terra através de Cabral; havia no Brasil acerca de mais de 5 milhões de habitantes, eram mais de 5 milhões de índios. Portugal não contava com mais de 1 milhão de habitantes. Acaso os índios quisessem, e tivessem tido um comando central poderiam se unir e de fato defender a Terra dos Coqueiros (Pindorama), o Brasil (Ibirapitanga), que era e sempre será a terra deles. De qualquer forma, a colonização Portuguesa pode ter tido muitos defeitos mas não chegou nem a um centésimo da barbárie cometida pelos Espanhóis no resto da América do Sul e América Central e pelos puros "peregrinos" na América do Norte, onde por puro preconceito racial, sequer o elemento autóctone pode ser assimilado, mesmo até os dias atuais!

Os franceses quase de fato ficaram de fora da colonização da América, a qual inicialmente havia sido dividida pelo Papa entre Portugueses e Espanhóis. Navegadores franceses da Bretanha desde há muito tempo já conheciam as costas do Canadá como Jacques Cartier, em suas navegações e caças às baleias. Contrariando a divisão das Américas entre Portugueses e Espanhóis, o Rei de França costumava dizer que lhe mostrassem o testamento de Deus onde ELE havia feito a divisão. O inconformismo francês dá causa, portanto, à justa reivindicação, ocupação e fundação de colônias na América do Norte e à reivindicação de terras na América do Sul. Cidades como Québec e Montreal são fundadas e outras tentativas também são empreendidas como aquela do sonho de uma França Antártica no Rio de Janeiro, colônia destinada aos fugitivos protestantes das guerras de religião na França do século 16, a qual se transformou num sonho abortado, pois não vingou. Mais tarde, tentariam os franceses novamente a implantação de uma colônia em terras brasileiras no Maranhão, à qual chamaram de França Equinocial, fundando na oportunidade, a vila de São Luís em homenagem ao Rei Francês que fora canonizado devido às cruzadas que empenhou contra os muçulmanos na Europa. Também expulsos, não se contentaram, por fim conseguindo o que hoje se conhece como Guiana Francesa, departamento ultramarinho da França, que faz fronteira com o Estado do Amapá e que antigamente fazia parte do território Brasileiro.

Neste ínterim, o empreendimento inglês nas treze colônias, futuros Estados Unidos, era tacanho, mas envolvia uma colonização diversa dos modelos empregados em outros locais, inclusive no Brasil. Tratava-se de uma colonização de desenvolvimento e não de exploração como ocorreu nos resto das Américas. Ali a colonização se iniciou não por ordem de nenhum Rei mas de peregrinos protestantes que buscavam refúgio das guerras de religião na Europa. Consequentemente, para lá se dirigiram pessoas um pouco diferentes das que Portugal trazia para o Brasil. Na América do Norte, eram homens de negócios, médicos e Advogados, que deram início, não a uma exploração mas à um desenvolvimento sustentável da própria terra. Quanto aos franceses, esses finalmente conseguem para si um território em forma de lua crescente que vai desde cidades como Quebec e Montreal, passando pelo centro dos Estados Unidos até o Sul na Nouvelle Orléans, fundando neste território diversas cidades como Des Moines, Baton Rouge e tantas outras. Sempre na vanguarda em matéria de costumes, os franceses defenderam os índios de uma pequena tribo no Quebec contra outra tribo, aliada dos ingleses. Este fato deu origem a uma guerra e à perda do Quebec e Montreal, que passaram ao domínio inglês conservando no entanto sua língua e características culturais até hoje em dia. O restante do território da Nouvelle Orléans, foi vendido aos Norte-Americanos no início do século 19, sem antes deixar marcas exclusivas como costumes (Mardi Gras - Carnaval em Nova Orleans), nome de cidades como Baton Rouge, Nouvelle Orléans, Des Moines, e muita outras, além do dialeto crioulo (créole).

No Brasil, os índios entram dentro do processo histórico a partir do descobrimento e de fato se arruínam quando aceitam servir ao visitante Português - colonizador. O desmoronamento cultural indígena começa quando aceitam a troca de carapuças, espelhos, machados, avelórios, pelo pau-brasil, e se consuma quando, ao lado da tropa, trabalham para a colheita. Mudado seu sistema de produção e trabalho, os grupos atingidos sofrem tensões nas suas personalidades e iniciam processos de transição. Os diferentes graus de influência ativa e passiva provocam reações de comportamento tanto no grupo nativo, como no grupo futuramente vencedor. O primeiro ou fugiu para o mato inacessível (Tupinambás de Ubatuba, São Paulo), ou foi aniquilado quando resistiu (Tupinambás do Rio de Janeiro), ou entrou na engrenagem da economia mundial sendo assimilado pelo branco (Tupiniquins do Litoral Sul de São Paulo). Seu destino está selado. Só como derrotado e como influente passivo e silencioso, é que permanece no processo histórico. Do lado vencedor, o processo não é menos tenso, embora esteja a seu favor a força da história. Subordinam-se os primeiros colonos a três tipos: os que sofriam a influência indígena (exemplo, Diogo Paes), os que os dominavam e castigavam (exemplo, João Ramalho), e os que influíam e sofriam influência (exemplo, Diogo Álvares, o Caramuru). Os três tipos coexistiram, serviram de modelo representaram três adaptações, mas o segundo vigora e predomina desde o momento em que é preciso consolidar o poder colonial português. Este está ameaçado pelos índios insubordinados submetidos a duras provas, mas especialmente pela aliança dos Tupinambás (Potiguares, Tamoios) como os franceses, os quais souberam conservar com os índios um aliança tão firme que durou mais de um século, sem interrupção. A vitória portuguesa resulta de ações simultâneas: 1) as expedições de defesa, combatendo os franceses que comerciavam o pau-brasil; 2) a ação diplomática, negociando na França a retirada dos franceses. Agiam com cautela e temor, pois não eram suficientemente fortes para enfrentar as hostilidades dos naturais da terra. Tirar o medo aos cristãos e metê-lo ao gentil, assim resume Nóbrega a ação portuguesa, observando ainda que “se algum índio lhe prejudica em uma a palha de sua fazenda, querem logo que seja crucificado”. Neste esboço se retrata a imposição do segundo modelo de colono adaptado ao rigor da luta e às dificuldades da terra. Ao lado dessas medidas, impuseram a escravidão, comprando cativos de guerra entre os próprios índios, ou, quando mais fortes, empreendendo guerras e escravizando os prisioneiros.

Logo depois o Rei viria a só permitir a escravização dos índios em “guerra justa” e só o Governador-Geral podia decidi-la (em princípio e escravização do índio era proibida desde Dom Sebastião). Até o estabelecimentos das donatárias (1.534), os portugueses como os franceses, foram traficantes de pau-brasil ou guarda-costas (Fonte: Delta Larrousse - Editora Delta, Rio / Librairie Larousse, Paris).

No Brasil, o desenvolvimento da terra e os costumes que possuímos até os dias atuais, devemos primeiramente aos índios e seu modo de vida contemplativo. É curioso ver todas as tardes a quantidade de pessoas que assistem à um pôr do sol ou ainda, gente que se aglomera nas praias e campos para ver o nascer do sol ou observar o mar pela manhã. Este é um costume nitidamente bem indígena, que é a contemplação da natureza. Muitos no Brasil acham que falamos Português simplesmente por falar, esquecendo-se do passado, pois aqui não há de fato grande identificação com a terra ou os costumes de Portugal. Não se vê gente cantando fado no Brasil, é verdade que temos caldo verde, mas ninguém chama uma moça de rapariga e ao invés de aguaceiro, dizemos toró que é uma palavra TUPI. Esses singelos exemplos servem para ilustrar o que na verdade quase não nos damos conta no dia a dia - do fato de que somos e temos muito dos índios. É verdade que muita coisa foi herdada de nossos irmãos portugueses, contudo, mesmo tendo sido o Brasil uma colônia de extrativismo, de exploração, com todos os erros e injustiças deste modelo de desenvolvimento, conseguiu-se desenvolver aqui um sentimento nacionalista, com as nossas coisas, com o jeito brasileiro, a mãe preta do serrado, com a mandioca, o maracujá ao invés do fruto da paixão, do abacaxi ao invés do ananás. A lenta extinção e eliminação do índio como indígena de fato e sua rápida assimilação não destruíram os costumes refletidos até hoje em dia em nossas mais simples atitudes.

Contudo, os índios do Brasil quinhentista tinham virtudes, mas também alguns defeitos como voltar atrás no empenho da sua palavra dada em todo e qualquer acordo. A importação de mão de obra escrava da África não diminuiu a importância indígena, este se também se assimilou ao negro, criando o cafuzo a daí nascendo novos costumes como religiões Afro-Brasileiras cujo panteão possui diversos Caciques inclusive o Cunhambebe. Só no Brasil esta mistura ocorreu. O branco se mesclou com o índio e estes dois com o negro e esses ainda com o amarelo, que chegou por aqui com a imigração no final do século 19. Aqui todas as culturas se cruzaram e se assimilaram ao invés de se separarem em ódios e querelas como em muitas outras partes do mundo. Talvez o único fato que realmente prejudique nossa terra até os dias atuais, tenha sido o fato do Brasil ter possuído o sistema de plantations, isto é, grandes glebas de terra nas mãos de uma única pessoa, o Senhor do Engenho, o Coronel. Este Coronel é a elite, o resto é considerado povo e trabalhador, operário, com direitos diminutos mas muitas obrigações, fato que se reflete até os dias atuais mesmo na Lei Brasileira, que concede benefícios como prerrogativas de foro especial em processo civil e criminal, para para a maioria das autoridades, o que ainda se constitui num absurdo em pleno século 21. Este sistema de plantations, é a causa e origem das falhas que ainda possuímos nos dias atuais mas que, por outro lado, temos também a chance de corrigir. Este sistema simplesmente originou as elites de um lado e ao povo passivo, do outro. As elites agem como bem entendem como se estivessem acima da Lei. O povo, sempre passivo, reflete exatamente o que ocorria nos grandes engenhos - obedecia e deixava tudo "para lá". Por isso mesmo a importância da história, com sua ênfase reparadora e educacional, no sentido de que, alguém sabendo, quem de fato é e de onde veio, este alguém possa conseguir "se enxergar" e encontrar novos caminhos, reparando assim, eventuais erros dantes cometidos.

Tupi, a Língua Franca do Brasil

O Tupi (Tupinambá Antigo) foi o primeiro idioma encontrado pelos portugueses no Brasil de 1500 e ainda resiste no nosso vocabulário. Agora tem gente querendo vê-lo até nas escolas em pleno século XXI. À primeira vista o projeto parece birutice. Só que há precedentes. Em 1994, o Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro aprovou uma recomendação para que o Tupi fosse ensinado no segundo grau. A decisão nunca chegou a ser posta em prática por pura falta de professores. Hoje, só uma universidade brasileira, a USP, ensina a língua, considerada morta, mas ainda não completamente enterrada. Em sua forma original, o Tupi, que até meados do século XVII foi o idioma mais usado no território brasileiro, não existe mais. Mas há uma variante moderna, o Nheengatu (fala boa, em tupi), que continua na boca de cerca de 30 000 índios e caboclos no Amazonas. Sem falar da grande influência que teve no desenvolvimento do português e da cultura do Brasil. Todo dia, sem perceber, você fala algumas das 10 000 palavras que o Tupi nos legou. Quer um exemplo? Do Tupi antigo, que era o Tupinambá falado na costa, nos chega hoje Iteron que ficou Niterói (talvez modificado pelo Nheengatu), Ita-ahé ou aém é Itanhaém, Uwatibii é Ubatuba... Do nome de animais, como jacaré e jaguar a termos cotidianos como cutucão, coroca, pitanga, mingau e pipoca. É o que sobrou da língua do Brasil. Do Ceará a São Paulo, mudavam só os dialetos. Quando você ouvir dizer que o Brasil é um país Tupiniquim, não se irrite. Nos primeiros dois séculos após a chegada de Cabral, o que se falava por estas bandas era somente o Tupi. O idioma dos colonizadores só conseguiu se impor no litoral no século XVII e, no interior; no XVIII. Em São Paulo, até o começo do século XX, era possível escutar alguns caipiras contando casos em língua indígena. No Pará, os caboclos conversavam em Nheengatu até os anos 40. Mesmo assim, o tupi foi quase esquecido pela História do Brasil. Ninguém sabe quantos o falavam durante o período colonial. Era o idioma do povo, enquanto o português ficava para os governantes e para os negócios com a metrópole. “Aos poucos estamos conhecendo sua real extensão”, diz Aryon Dall’Igna Rodrigues, da Universidade de Brasília, o maior pesquisador de línguas indígenas do país. Os principais documentos, como as gramáticas e dicionários dos jesuítas, só começaram a ser recuperados a partir de 1930. A própria origem do Tupi ainda é um mistério. Calcula-se que tenha nascido há cerca de 2500 anos, na Amazônia, e se instalado no litoral no ano 200 d.C. “Mas isso ainda é uma hipótese”, avisa o arqueólogo Eduardo Neves, da USP.

Três Letras Fatais

Quando Cabral desembarcou na Bahia, a língua Tupi era falada numa extensão de cerca de cerca de 4 000 quilômetros da costa, do norte do Ceará a Iguape, no sul de São Paulo. Só variavam os dialetos. O que predominava era o Tupinambá, o jeito de falar do maior entre os cinco grandes grupos tupis (Tupinambás, Tupiniquins, Caetés, Potiguaras e Tamoios). Daí ter sido usado como sinônimo de Tupi. As brechas nesse imenso território idiomático eram os chamados Tapuias (escravo, em Tupi), pertencentes a outros troncos lingüísticos, que guerreavam o tempo todo com os Tupis. Ambos costumavam aprisionar os inimigos para devorá-los em rituais antropofágicos. A guerra era uma atividade social constante de todas as tribos indígenas com os vizinhos, até com os da mesma unidade lingüística. Um dos viajantes que escreveram sobre o Brasil, Pero Magalhães Gândavo, atribuiu, delirantemente, a belicosidade dos tupinambás à língua. “Não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, pois assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei e, desta maneira, vivem sem justiça e desordenadamente”, escreveu em 1570. Para os portugueses, portanto, era preciso converter os selvagens à fé católica, o que só aconteceu quando os primeiros jesuítas chegaram ao Brasil, em 1553. Esses missionários se esmeraram no estudo do tupi e a eles se deve quase tudo o que hoje é conhecido sobre o idioma. Também, não havia outro jeito. Quando Portugal começou a produzir açúcar em larga escala em São Vicente (SP), em 1532, a língua brasílica, como era chamada, já tinha sido adotada por portugueses que haviam se casado com índias e por seus filhos. “No século XVII, os mestiços de São Paulo só aprendiam o português na escola, com os jesuítas”, diz Aryon Rodrigues. Pela mesma época, no entanto, os faladores de Tupi do resto do país estavam sendo dizimados por doenças e guerras. No começo daquele mesmo século, a língua já tinha sido varrida do Rio de Janeiro, pelo extermínio dos Tupinambás, e de Olinda a Salvador, as cidades mais importantes da costa. Hoje, os únicos remanescentes dos tupis são 1.500 Tupiniquins do Espírito Santo e 4.000 Potiguares da Paraíba. Todos desconhecem a própria língua. Só falam português.

O Primeiro Gramático

Joseph de Anxieta, mais tarde José de Anchieta (1534 - 1595), sempre foi poliglota. Nascido nas Ilhas Canárias, era filho de pai basco e aprendeu, ao mesmo tempo, o castelhano e o complicado idioma paterno. Adolescente, mudou-se para Portugal, onde estudou o português, o latim e o grego. Por tudo isso, não é de espantar que Anchieta tenha aprendido o tupi tão depressa. Seus companheiros diziam que ele tinha facilidade porque a língua era igualzinha ao basco que assimilara quando pequeno. Bobagem. Tão logo pôs os pés no Brasil, em 1553, aos 19 anos, começou a desenvolver a primeira gramática da língua da terra. Em 1560, sua Arte de Grammatica da Lingoa Mais Vsada na Costa do Brasil já era um best-seller entre os jesuítas. O livro, que só seria impresso em 1595, virou leitura de cabeceira dos jovens padres encarregados da catequese. Com ele, nascia o Tupi escrito, que Anchieta usou para compor mais de oitenta poemas sacros e peças de teatro, inaugurando a literatura brasileira.

O Tupi e Outras Línguas de Sua Família

É comum ver políticos do hemisfério norte confundindo o Brasil com a Argentina e o espanhol com o português. Pois a mesma confusão é feita, aqui no Brasil, com as línguas dos índios. Poucos sabem, mas é errado dizer que os índios falavam Tupi-Guarani. “Tupi-Guarani é uma família lingüística, não um idioma”, explica o lingüista Aryon Rodrigues. Ele a compara à família neolatina, á qual pertencem o português, o espanhol, o italiano, o romeno e o francês. Os cinco têm uma origem comum, o latim, mas diferem uns dos outros. O extinto Tupi antigo, o ainda usadíssimo guarani moderno — falado por quase 5 milhões de pessoas no Paraguai e 30 000 no Brasil — e outros 28 idiomas derivam de uma mesma fala, o proto-tupi. Os guaranis e os tupis até que se entendiam. Mas, dentro da família, eles são apenas parentes próximos, não irmãos. Para perguntar “qual é o seu nome”, um guarani diria Mba’eicha nde r’era?, e um tupiniquim, Mamõ-pe nde rera? Não dá para confundir, dá?

Ascensão e Queda de um Idioma

Eis aqui um breve histórico da língua Tupi no Brasil:

Século XVI: O Tupi, principalmente o dialeto Tupinambá, que ficou conhecido como tupi antigo, é falado da foz do Amazonas até Iguape, em São Paulo, inclusive pelos índios Tupinambás do Rio de Janeiro e Ubatuba e pelos índios Tupiniquins de Upau Nema (São Vicente) e Itanhaém. Neste caldeirão também haviam os grupos Tapuias, como os Goitacás do Rio de Janeiro, que eram ferozes e corredores, apanhando a presa na corrida, os Aimorés da Bahia e os Tremembés do Ceará, que viviam em guerra com os Tupis. De Cananéia à Lagoa dos Patos fala-se o Guarani.
Séculos XVII/XVIII: O extermínio dos Tupinambás, a partir de 1550, a imigração portuguesa maciça e a introdução de escravos africanos praticamente varre o tupi da costa entre Pernambuco e Rio de Janeiro. Em São Paulo e no Pará, no entanto, ele permanece como língua geral e se espalha pelo interior, levado por bandeirantes e jesuítas.
Século XX: O Português se consolida a partir da metade do século XVIII, contudo muito influenciado pelo Tupi. O Tupi antigo desaparece completamente, junto com outras línguas indígenas (das 340 faladas em 1.500, sobrevivem, hoje, apenas 170). O Marques de Pombal, expulsa os Jesuítas do Brasil, no caso conhecido das missões do Sul do Brasil: é que os Jesuítas desta vez, não mais influenciados nem iludidos pelos Portugueses, os quais queriam a escravização, favoreciam a educação e protegiam os Índios. É baixado um decreto proibindo o uso e o ensino do Tupi. Como toda proibição, não foi de todo vitoriosa pois a proibição gerou um efeito inesperado: fez com que o Tupi se mesclasse com o Português. A língua geral da Amazônia, o Nheengatu, é uma evolução do Tupi e continua sendo falada no alto Rio Negro e na Venezuela por cerca de 30.000 pessoas.

Hoje em dia já se fala internacionalmente num Portugais Brésilien, Brazilian Softenend Portuguese (ou Português Suavizado Brasileiro ou ainda Português Brasileiro) o qual inegavelmente possui influência Tupi. Qual é a influência do Tupi? Vejamos: olha o maracujá e o abacaxi! E então xará? Você viu aquela coroca tomando suco de pitanga lá no Itororó? Aí babau! Lá tem jabuticaba, jabuti e grumixama. Tem quati, sanhaço, sabiá, saruê e perereca. Vai jogar peteca? Se quiser a peteca é da Teca e a Teca tá tiririca com o Teco num tá? Tá sim e a Teca tá em Itanhaém ou tá em Ubatuba? E lá tem siri e tem paraty! Qualquer um que tentasse falar essas frases em Portugal, por certo nunca seria compreendido. Mesmo tendo desaparecido em sua forma original, o Tupi de certa forma, mesmo que muito corrompido, continua a ser falado por todos os Brasileiros, pois indica os nomes de lugares (toponímicos) e milhares de palavras e vícios de linguagem que através do Tupi, permeiam a Língua Portuguêsa do Brasil.

(Tupi, A Língua Franca do Brasil, Três Letras Fatais, O Primeiro Gramático, O Tupi e outra Línguas de Sua Família e Ascensão e Queda de um Idioma são excertos baseados em artigo de Claudio Angelo).

 

 
   

clique nas imagens para ampliar

   
 

 

A REGIÃO | BEM-VINDOS | COZINHA CAIÇARA | ESTRADAS | FOTOS ANTIGAS | FOTO DO DIA | HISTÓRIA | LENDAS

 
 

 MAPA DO SITE | MARÉS | NOTÍCIAS | PESSOAS | PRAIAS | PROGRAME-SE | ONDE FICAR | TEMPO | TOURS | VIDEO

 
   
Google
   

           

 
     

   
 este site é melhor visualizado em 800x600 ou superior 1024x768 editor@itanhaemvirtual.com.br

O Seu Guia do Litoral Sul

     

© 2005 DIGITAL VIDEO SITES - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL DO CONTEÚDO DESTE SITE SEM A EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DO AUTOR